A gasolina brasileira mudou, novo produto deve chegar aos postos em até 60 dias

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A gasolina brasileira mudou, novo produto deve chegar aos postos em até 60 dias

Foto Divulgação

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Começou a ser produzida nesta segunda-feira, 3 de agosto, no Brasil, uma nova gasolina com especificações estabelecidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). As novas especificações foram definidas pela Resolução nº 807/2020 e equiparam a gasolina brasileira a mesma qualidade do combustível vendido na Europa.

O novo produto passa a ter mais qualidade, mais energia, melhora o desempenho do motor, garante menos consumo – até 6% de economia, melhora o aquecimento do motor, polui menos e tem mais octanagem RON (Research Octane Number).

Além disso, as novas especificações garantem mais segurança para os revendedores e consumidores, já que a adulteração da gasolina se tornou mais difícil com as mudanças, explica o presidente do SINDIPETRO/SC, Luiz Antonio Amin.

Amin detalha ainda, que apesar de começar a ser produzida nesta segunda-feira, a nova gasolina deve levar algum tempo para chegar aos postos. “As distribuidoras possuem estoque do produto antigo, só depois de comercializar todo esse estoque é que elas receberão a nova gasolina e começarão a entregar para os postos. ”

A própria resolução da ANP dá um prazo adicional de 60 dias para as distribuidoras e de 90 dias para os revendedores se adequarem, permitindo o escoamento de possíveis produtos comercializados anteriormente e que não atendem integralmente às novas características.

Com as alterações e aumento dos benefícios o preço da gasolina também deve ser afetado. No fim de junho, a diretora de refino e gás natural da Petrobras, Anelise Lara, disse que o litro da gasolina teria uma tendência a ficar mais caro com as novas especificações do derivado.

No entanto, a empresa não disse qual deve ser a diferença nos preços. No fim das contas, apesar de o motorista pagar mais pelo combustível, o veículo rodará mais quilômetros com um litro de gasolina.

Em nota, a Petrobras disse que “o ganho de rendimento de 5%, em média, proporcionado pela nova gasolina compensará uma eventual diferença no preço da gasolina”, e que “o preço do combustível é definido pela cotação no mercado internacional e outras variáveis”.

O que muda com a chegada da nova gasolina

A revisão da especificação da gasolina automotiva contempla, principalmente, três pontos. O primeiro é o estabelecimento de valor mínimo de massa específica (ME), de 715,0 kg/m3, o que significa mais energia e menos consumo.

O segundo é valor mínimo para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A, de 77,0 ºC. Os parâmetros de destilação afetam questões como desempenho do motor, dirigibilidade e aquecimento do motor.

O terceiro ponto é a fixação de limites para a octanagem RON (Research Octane Number), já presente nas especificações da gasolina de outros países. A fixação de tal parâmetro mostra-se necessária devido às novas tecnologias de motores e resultará em uma gasolina com maior desempenho para o veículo.

Existem dois parâmetros de octanagem – MON (Motor Octane Number) e RON. No Brasil, só era especificada a octanagem MON e o índice antidetonante (IAD), que é a média entre MON e RON. O valor mínimo de octanagem RON, para a gasolina comum, será 92, a partir de 3 de agosto de 2020, e 93, a partir de 1º de janeiro de 2022. Já para a gasolina premium, será de 97, já a partir de 3 de agosto próximo.

A nova gasolina é resultado de estudos e pesquisas, realizadas pela ANP, dos padrões de qualidade, considerando o acompanhamento das especificações e harmonizações internacionais, bem como de amplos debates com os agentes econômicos do mercado de combustíveis. Atende aos atuais requisitos de consumo de combustível dos veículos e de níveis de emissões progressivamente mais rigorosos, considerando cenário futuro das fases L-7 e L-8 do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve – Ibama) e do Programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística (Governo Federal).

Além de estabelecer as novas especificações da gasolina, a Resolução ANP nº 807/2020 determina as obrigações quanto ao controle da qualidade a serem atendidas pelos agentes econômicos.

Quer saber mais: O site G1 preparou uma guia de perguntas e respostas sobre a nova gasolina, confira clicando aqui.

Assista a entrevista do presidente do SINDIPETRO/SC, Luiz Antonio Amin, falando sobre a nova gasolina, para a NSC Notícias de segunda-feira, 3 de agosto, clicando aqui.

 

 

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