Bolsonaro descarta aumento da Cide e diz que ‘tendência’ é preço de combustível cair nas refinarias

Foto: Divulgação Internet
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Bolsonaro descarta aumento da Cide e diz que ‘tendência’ é preço de combustível cair nas refinarias

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (9) em uma rede social que “não existe a possibilidade” de o governo aumentar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), um dos tributos que incide sobre combustíveis.

A Cide é um tributo federal e pode ser usada pelo governo para estabilizar o preço da gasolina – se o preço do petróleo sobe, o governo pode reduzir a Cide a fim de evitar alta de preços para o consumidor; se cai, pode aumentar a Cide e arrecadar mais impostos sem que haja aumento do preço da gasolina para o consumidor. Segundo analistas, uma queda acentuada no preço da gasolina também poderia, por exemplo, inviabilizar o uso do etanol já que ficaria muito mais barato abastecer o carro com gasolina. Atualmente a Cide cobrada da gasolina é de R$ 0,10 por litro. Não há cobrança de Cide em cima do etanol e do diesel.

Segundo o presidente, a Petrobras manterá sua política de preços, com variações que acompanham a cotação do petróleo no mercado internacional, o que, segundo ele, resultará na “tendência” de redução do preço dos combustíveis nas refinarias.

“NÃO existe possibilidade do Governo aumentar a CIDE para manter os preços dos combustíveis. O barril do petróleo caiu, em média, 30% (US$ 35 o barril). A Petrobras continuará mantendo sua política de preços sem interferências. A tendência é que os preços caiam nas refinarias”, escreveu Bolsonaro.

Bolsonaro, que está em viagem aos Estados Unidos, fez a publicação em um dia de agitação nas bolsas de valores pelo mundo. Os preços do petróleo recuavam ao redor de 20% nesta segunda, depois que a Arábia Saudita cortou o preço de venda do barril e indicou o início de uma guerra de preços entre os grandes produtores.

Devido à crise, as ações da Petrobras desabaram mais de 25% nos primeiros negócios desta segunda-feira. Em poucas horas, a estatal perdeu mais de R$ 67 bilhões em valor de mercado.

Economistas falam sobre o cenário da queda de preços do petróleo

O presidente cobra há meses que a redução do preço dos combustíveis nas refinarias chegue ao consumidor. Chegou inclusive a lançar um desafio aos governadores, segundo o qual levaria a zero os tributos federais que incidem sobre os combustíveis se os estados adotassem o mesmo procedimento em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS). Governadores classificaram o desafio como “irresponsável” e “populismo”.

Na abertura dos negócios no mercado asiático, ainda na noite de domingo (horário de Brasília), o preço do petróleo do tipo Brent chegou a recuar 31%, no maior tombo desde a Guerra do Golfo (1990 e 1991).

A decisão da Arábia Saudita ocorreu na esteira do fracasso das negociações entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia sobre o tamanho da produção da commodity.

Nos Estados Unidos, onde integra a comitiva do presidente Jair Bolsonaro em visita ao país, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que, “por enquanto”, não há essa possibilidade.

“Não tem nada de aumentar ou diminuir a Cide. Isso tudo é exercício que pode ser refletido, mas não tem nada a ver com uma ação que será tomada agora pelo governo, afirmou.

Também nesta segunda, o vice-presidente Hamilton Mourão, que está no exercício da Presidência devido à viagem de Bolsonaro, disse ser contrários ao aumento de impostos para compensar eventuais perdas da Petrobras com a queda no preço do petróleo.

Fonte: G1
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