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Especificações da nova gasolina brasileira garantem 6% menos de consumo

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A partir do dia 3 de agosto começa a valer a determinação da Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP), que estabelece padrões mais elevados para a gasolina vendida no Brasil. As expectativas são de uma alta nos preços, mas ainda não é possível estabelecer o valor.

De acordo com a Petrobras, essa nova gasolina pode gerar uma economia de 4% a 6% no consumo dos motores já existentes. Mas, para o professor do departamento de engenharia mecânica da FEI (Fundação Educacional Inaciana) Silvio Shizuo, o maior ganho deve ser no desenvolvimento de novos motores a partir de agora.

O combustível utilizado no Brasil é considerado de qualidade inferior se comparado ao de dos EUA e da Europa. “Hoje temos veículos com sistema de injeção direta de combustível e muitos consumidores relatam problemas de entupimento, troca de injetor, que podem custar mais de mil reais”, comenta.

Ele ainda afirma que, com uma gasolina mais homogênea, as montadoras podem fazer testes e desenvolver motores mais próximos do que elas já estão acostumadas, sem a necessidade de fazer adequações para o combustível local.

Segundo o professor, os motores flex devem ser os que mais irão se beneficiar desse novo combustível. Isso porque a pressão de alimentação de combustível nesses sistemas foi sendo aperfeiçoadas ao longo dos anos, permitindo uma maior economia e emitindo menores quantidades de poluentes.

“O sistema convencional de injeção de combustível no motor costuma ter entre 3 e 5 bar. Os novos sistemas podem chegar a ter até 250 bar de pressão. Quanto mais pulverizado estiver o combustível, mais ele evapora e mais completa será a queima, permitindo que ele consuma menos”, afirma.

“A nova gasolina vai reduzir o fenômeno da pré-detonação [popularmente chamada de batida de pino], que pode comprometer o motor”.

Essa pulverização facilitada também beneficiará a partida com o motor frio. Quanto mais fria a gasolina, é mais difícil de fazê-la virar um vapor. E, não sendo uma mistura homogênea, com um ponto específico de vaporização, os veículos antigos enfrentam dificuldades para dar partida no inverno.

“O carro com injeção eletrônica vai se beneficiar, já que o carburado não tem a correção que a injeção eletrônica faz. Dentro do carburador, o fato de ter um combustível homogêneo pode dar um comportamento mais constante”, explica o professor.

Apesar de estarmos falando de gasolina, o professor Shizuo é um defensor do etanol, e explica: “Aumentar o preço da gasolina é positivo para o etanol, porque aumenta a concorrência e é positivo para esse combustível brasileiro”.

O Brasil teve uma longa história com o programa de desenvolvimento de motores flex e incentivos fiscais para valorizar o etanol, o que colocou o país como referência nesse tipo de motorização no mundo.

A Petrobras disponibiliza um gráfico que mostra como é composto o preço final da gasolina na bomba, que é constituído de quatro valores: preço do produtor, impostos, custo do etanol e preço de distribuição.

Tributos como ICMS (estadual) e Cide (federal), somam 46% do total (29% e 17%, respectivamente), enquanto o preço de saída da refinaria corresponde a 28% do final. O resto é dividido entre o custo do etanol anidro e o valor da distribuição e revenda, com 13% cada.

Fonte: Valor Econômico
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