Ipiranga, do Grupo Ultra, bate rivais e fica com a rede Ale por R$ 2,17 bilhões

O seu posto já foi assaltado hoje?
10 de junho de 2016
Postos de combustíveis querem poder explorar seus terrenos com outras atividades
16 de junho de 2016

Ipiranga, do Grupo Ultra, bate rivais e fica com a rede Ale por R$ 2,17 bilhões

Compartilhar:

O Estado de S. Paulo

Fernando Scheller

13/06/2016 – O Grupo Ultra, por meio da marca de postos de combustíveis Ipiranga, anunciou ontem a compra de 100% da rede de postos de combustíveis Ale, a quarta maior do setor no País, por R$ 2,17 bilhões. A companhia, comandada pelo empresário Marcelo Alecrim, detém 3,1% do mercado brasileiro e vai ajudar a Ipiranga, atual vice-líder, a ficar mais próxima da primeira colocada, a BR Distribuidora, da Petrobrás.

Segundo apurou o Estado, o empresário Marcelo Alecrim deverá permanecer no negócio por pelo menos mais um ano, ajudando na transição da Ale para a Ipiranga. A rede montada por Alecrim e seus sócios contabiliza hoje cerca de 2 mil postos de combustíveis, que agora serão unidos aos mais de 7,2 mil que estampam a marca Ipiranga. Em 201postoipiranga5, a Ale teve receita de R$ 11,4 bilhões e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 275 milhões.

Fontes do setor afirmam que a Ale era a última distribuidora com fatia relevante e profissionalizada disponível no mercado – por isso, era alvo de cobiça da Raízen (parceria entre Cosan e Shell) e da Ipiranga há pelo menos três anos. Fundos de investimentos como Warburg Pincus e Advent também teriam voltado a olhar o negócio nos últimos meses, quando o Banco Safra voltou a ofertar o ativo no mercado. O valor do acordo saiu dentro das expectativas do mercado, que eram de R$ 2 bilhões.

O preço anunciado para o negócio, de R$ 2,17 bilhões, terá um desconto de R$ 737 milhões referente à dívida da Ale em 31 de dezembro de2015, o que reduzirá o valor que efetivamente será pago aos sócios – eles vão embolsar pouco mais de R$ 1,4 bilhão. O acordo anunciado ontem ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No entanto, fontes de mercado afirmam que não haveria problemas de concorrência no mercado, já que a BR Distribuidora continuará líder, mesmo com a soma das fatias de mercado de Ale e Ipiranga. Além disso, cerca de 40% das vendas do País ainda estão nas mãos de postos sem marca, os chamados “bandeira branca”.

Alvo estratégico. Embora o Brasil ainda tenha quase 200 operadores de combustíveis, a Ale, além de ser maior do que outras empresas independentes, também tinha a reputação no mercado de trabalhar somente com combustíveis de origem certificada. Além disso, a gestão era profissionalizada. Entre seus sócios figuravam o fundo de investimento Darby, que permaneceu por 12 anos no rol de acionistas.

A atual Ale é fruto da união de duas distribuidoras de combustíveis, a mineira Ale e a potiguar Satélite. Para ganhar musculatura, a companhia fez também algumas aquisições, como as operações da Repsol e da Polipetro. Sediada no Rio Grande do Norte, a companhia tinha uma participação mais relevante no mercado nordestino. Esse aspecto foi especialmente interessante para o Grupo Ultra, que tem atuação mais concentrada no Sul e no Sudeste.

Diferença regional. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em março, a participação da Ipiranga na venda nacional de combustíveis é de 14,6%, enquanto a Ale tem fatia de 3,1%. Somadas, portanto, as duas companhias têm 17,7% do mercado brasileiro, mas ainda assim ficam atrás dos 19,7% da BR Distribuidora, da Petrobrás.

No Nordeste, no entanto, a presença da Ipiranga é bem mais discreta, de 6,2%, enquanto a potiguar Ale tem 4,1% na região. Desta forma, a empresa do Grupo Ultra chegará a 10,3% de participação, passando a atual vice, a Raízen, que detém 7% do segmento no Nordeste, bem atrás da líder BR Distribuidora, que lidera com 18,8%.

Mercado brasileiro de combustíveis recuou em 2015

Apesar da disposição das líderes do setor de combustíveis em investir no movimento de consolidação, as vendas foram afetadas pela crise. Em 2015, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o mercado brasileiro teve uma queda de 1,9% em relação a 2014, fechando em 141,8 bilhões de litros. As informações da agência reguladora mostram ainda que houve queda no consumo de diesel e de gasolina – de 4,7% e 7,3%, respectivamente. Enquanto isso, as vendas de etanol, consideradas as versões anidro e hidratado, avançaram 19% em relação a 2014, enquanto a comercialização de biodiesel teve avanço de 17,4%, conforme a ANP.

Fale conosco
X