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O Estado de S. Paulo

Cleide Silvavendas-veiculos

02/08/2016 – As vendas de veículos novos em julho tiveram o melhor desempenho mensal do ano, com 181,4 mil unidades, volume 5,6% maior que o de junho, mas ainda 20,3% abaixo do mesmo mês do ano passado. Foi o terceiro mês seguido de alta nos negócios em relação ao mês anterior, mas não suficiente, ainda, para que o mercado fale em recuperação consistente do setor.

No acumulado de janeiro a julho, foi vendido 1,164 milhão de unidades, 24,7% menos que em igual período de 2015. Para o economista Rodrigo Nishida, da LCA Consultores, o resultado de julho “pode ser um suspiro”, mas ele prefere aguardar os próximos meses para uma avaliação mais apurada.

Por enquanto, a LCA mantém sua projeção de uma queda de pouco mais de 20% para as vendas do ano. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta para o ano redução de 19% nas vendas, para 2 milhões de unidades.

Mesmo com 21 dias úteis, um a menos que em junho, a média diária das vendas no mês passado somou 8,6 mil veículos, também a melhor performance do ano. Até o segmento de caminhões, o mais penalizado pela crise, apresentou melhora de 12% de um mês para o outro, mas foi 28,8% inferior ao resultado de julho de 2015.

“Se a média diária de vendas se mantiver acima de 8 mil unidades até o último trimestre, quando tradicionalmente os negócios crescem, o resultado do ano tende a ser melhor”, afirma Nishida.

O executivo de uma grande montadora também afirma ser “prematuro assumir que o setor chegou ao ponto de inflexão”. Segundo ele, o ambiente econômico continua ruim com pressões inflacionárias, crédito restrito e desemprego alto. Além disso, o Banco Central frustrou as expectativas de uma rápida queda nos juros.

No ano, as vendas no varejo, das lojas para os consumidores, caíram 29,2% em relação a 2015. Já os negócios diretos – das fábricas para frotistas (as chamadas vendas especiais)– tiveram redução de 12,5%, mostrando que o cliente pessoa física segue cauteloso.

No caso das vendas diretas, as fabricantes viram oportunidades em oferecer pacotes especiais para frotistas que operam com o serviço Uber e táxis. Mas o executivo lembra que os descontos oferecidos são elevados, o que prejudica os resultados financeiros das empresas.

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